Amor

Amor de mim, amor de sol.
Me afasto de minha essência, me aproximo das sombras.
Me enrolo em minhas cascas, no lençol,
na tolerância de meus erros, na aquiescência,
não me encontro em mim, as lágrimas vêm em trombas.

Amor de mim, amor de si.
Vejo o outro em mim, culpo, fujo.
Me aproximo do externo do que está fora.
Lá vejo o que não sou, farejo, sabujo.
Uma ponta de entendimento, reconheço partes de mim, me recolho no meu templo e digo, ora!

Amor de mim, amor de ré!
Sou no outro, sou em mim mesmo.
Somos um, cada pedra formando o templo.
Não há nada fora, nada a esmo!
Estou em mim, não sou modelo nem exemplo.

Amor de mim, amor de fá.
Notas que tocam e juntas formam acordes.
Somos assim, dissonantes notas numa pauta sem clave.
Estamos coesos como pedras no fiorde.
Para nos afinarmos, buscamos a chave.

Amor de mim, amor de dó.
Estamos todos juntos mesmo sem perceber.
Abraçados solitários que sentem o mesmo sal de lágrimas.
Nessa vida a intenção de doar é saber receber.
Juntos é que alcançamos os degraus de nossas próprias obra-primas.

Malone

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