Origami

A cadeira vazia de quem se ausentou

Olhares quietos do amor platônico

Livros e saberes que não descrevem

O futuro possível, feliz, e irônico.

Quatro vezes sete anos depois

Três andares de saberes organizados

O espaço e o tempo que criam distâncias

E separam amores em tom debochado.

Um papel flexível dobrado à mão

A esperança de quem não consegue falar

Dobras duras no plano do tempo e do espaço

Da minhoca o buraco, galáxia, quasar.

Encruzilhadas do cosmo revelam o caos

Caótica mente, libera o pensar

E soltam os planos perdidos mentais

Decisões que alteram o que é linear.

Caminhos, lembranças, foram esquecidos

Perdidos olhares entristecidos

A trama da vida que forma o tecido

O baile do caos gira entorpecido.

Dançando, rodando na gira da vida

Estável é o passo que flui inconteste

Trajetos, jornadas desaguam num mar

Fluídos do corpo, a realidade desveste.

Papéis que a memória um dia guardou

Sonhos e planos outrora traçados

O caos ordenado que não se compreende

Encontro de amores entrelaçados

Não se sabe o que houve e como ocorreu

Ninguém sabe onde vai, nem como será

Cartas, papéis que a traça comeu

Dirão algum dia o que haverá.

Que a vida se dobre às vontades de quem

Escrever sua história sem se demorar

Pois a vida é o agora que não se adia

O amor como um rio que corre pro mar.

Dimitri Barêa, o Frater Malone

Deixe um comentário